"Vanessa
desabrochando dia a dia" - o folhetim que que nos faltava
A equipa do
Levemente Irónico decidiu contar-vos a estória de Vanessa e do
seu desabrochar para a vida.
Tal como o título indica, vamos contar o seu dia a dia. Ou
melhor, vamos espreitar-lhe o diário e ver que surpresas nos
aguardam...
E quem é a Vanessa, perguntam vocês?
A Vanessa (por decisão nossa, é claro!) é uma jovem mulher,
perto dos 30 anos, trabalhadora, independente, que gosta de se
divertir e de escrever o seu diário (e vai ser tudo aquilo de nós
nos lembrarmos de inventar!).
Ora muito bem, a Vanessa tem algo que a perturba muito (e a nós
ainda mais, ao pensar na idade dela!!!): ainda não
desabrochou... para a vida, naturalmente!
Não percam as cenas deste emocionante folhetim, que promete
aventuras, surpresas, gargalhadas (as vossas, esperamos!),
choros (os dela, porque os nossos só se forem de tanto rir!),
romances e muito sexo (até porque a rapariga anda
desesperada..)!!!
O folhetim
começa dentro de instantes
Floreca,
6 de Agosto de 2004 - 03:12 AM
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Capítulo
1
Cabrão do gajo!!!
Mas o que é que ele quer?? Será que não vai deixar de me
chatear?
Lá porque eu cheguei um bocadinho atrasada esta manhã, ele
tinha de me dar cabo do juízo daquela forma?
Como se eu tivesse culpa de me ter deixado dormir! Acho que
exagerei no que bebi, ontem à noite...
Mas o tipo tinha logo que me falar assim tão alto?
E depois, não saía de perto da minha secretária, nem tirava
os olhos do meu decote.
Tarado.
Ainda se fosse um homem interessante...
Será que ele pensa que por ser meu chefe tem algum direito
sobre mim?
Floreca,
6 de Agosto de 2004 - 12:53 PM
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Capítulo
2
Bem, vou tomar um café e ver se isto me passa.
Porra, esqueci-me dos cigarros! Vou aos Recursos Humanos, assim
vejo o Mário, e saco-lhe um cigarro. Talvez ele queira tomar
café comigo. E se a conversa correr bem até lhe sugiro um almoço
no Shopping. Se não quiser, paciência, é um gajo podre de
bom, solteiro, faz surf, tem um sorriso bonito...Bolas, já aqui
trabalha há seis meses e nunca se aproximou de mim minimamente.
Será bicha? Náá...Sei lá...
Este corredor está cada vez mais sujo, brr. Bom dia Sr.
Matos, como vai? Olá Adélia, tudo bem? Mário queria uma
coisita tua...vê lá se adivinhas....Mas espera, já tomaste
café?
Então anda comigo que eu tiro-te um, traz os cigarros, ok?
A_Dora,
6 de Agosto de 2004 - 01:23 PM
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Capítulo
3
Há duas semanas atrás descobri
que os impressos para o Balanço Social estão desactualizados.
Têm um espaço para os M (masculinos) e um para os F
(femininos). Esqueceram-se de meter um para os T (Tarados), um
para os L (Larilas) e ainda um para os D (deprimidos). As fufas
não contam, nunca contariam, claro.
Por causa destes pensamentos embrulhei-me toda na papelada,
pus-me a contar e já havia mais Larilas do que Directores, na
empresa. Toda a gente sabe que isso é verdade mas não se pode
meter no Balanço Social, claro!!!
Fui chamada à Direcção. Disseram-me: “volte aqui amanhã
que o Director Financeiro quer ter uma conversa consigo”.
No dia seguinte fui directa para lá. Ia embrulhada, desta vez
no sono. É porque as minhas noites são agitadas, claro...
O homem fez-me esperar mais de uma hora. Já não sentia o cu.
Tenho um cu sensível, obviamente. Danada da espera, saquei do
meu saquinho de tricot e pus-me a tricotar. O tricot faz bem à
mente, toda a gente sabe, claro. Ele que se lixasse, não me
fizesse esperar! Camelo!
Passado um grande bocado, já tinha acabado a cava da camisola,
e não ia mais à frente porque me caiu uma malha, vai daí o
Director, o Dr. Ernesto, - coitado, que nome haviam de meter ao
homem – sai de rompante do gabinete, a mim pareceu-me de
rompante, evidentemente, até me assustei, estava a limpar uma
sujidade duma unha... Mas as minhas unhas estão sempre impecáveis,
claro. O tipo olha para mim com aqueles olhos esbugalhados e
sai-se com esta: “Ó menina Vanessa, faz tricot?! Olhe que a
minha senhora tb faz e anda atrapalhada com o remates!!!”
Pega no telemóvel e liga para a dita. “Oh Maria, sabes que
aqui a menina Vanessa faz tricot? Vamos convidá-la para ir lá
a casa e assim ela ensina-te a acabar com esses penduricalhos
que tu não és capaz de acabar, querida?...”
A outra disse logo que sim, claro!!! As colegas lá no ministério
onde a gaja também é Directora já lhe tinham dito que a técnica
de acabar com os penduricalhos do tricot têm de ser ensinadas
por uma pessoa experiente, como eu, e isso é fácil de ver.
E foi desta forma que, de prevaricadora, acabo por tornar-me
convidada da administração da empresa. O Mário não vai
acreditar quando souber...
Enfim, as coisas para mim não são muito óbvias, pois não?
... Hoje sinto-me insegura, claro.
Fly-away,
7 de Agosto de 2004 - 12:22 AM
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Capítulo
4
Meu querido diário: o inacreditável
aconteceu.
Eis-me aqui na sala de jantar do Dr. Ernesto. Quem diria! Tenho
a peida sentada numa cadeira de espaldar. Já tratei dos
penduricalhos da D. Maria. À minha frente, aqui está ela.
Gaita, tem um buço que lhe chega aos sovacos.
O Dr. Ernesto, à cabeceira, chupa a sopa pela pontinha das beiças.
Está quente, chiça!
O homem está-me profundamente grato por lhe ter ajudado a
livrar a Maria dele dos remates do tricot, os quais, remates e
respectivos penduricalhos, o impediam de mandar uma martelada na
crica da dita. Quando ela chegava à cama, após inúmeros
desperdícios de camisola, já o Dr. Ernesto tinha uma perna
entalada na secretária e outra no assessor.
Em sonhos, claro, o ortodoxo Dr. Ernesto, manifesta um desejo
recôndito de fazer uma menage à trois com a delicada menina a
quem chama Adelaide e o yupi do gestorzeco lá do gabinete. É
um tarado...?! Que diria Froid?... Meu querido diário, tenho de
dedicar-me a pesquisar a mente humana.
E agora, o melhor. À minha direita, o Ernestozinho júnior, não
tira os olhos das minhas mamas. Até já se engasgou, o puto
ficou roxo, pensei que ía ter um treco; tem 14 anos mas deve
ser um candidato a tarado, tenho de arranjar para este um lugar
especial no balanço social (A, de abichanado). E tem um buço
maior que a mãe... até se lhe enrola nele o molho do
esparguete.
Surreal... toca-me com os joelhos debaixo da mesa.
Aiiiii, o Mário quando souber ! Tenho humidades interiores, mas
não sei se é por causa do esparguete!....
Fly-away,
9 de Agosto de 2004 - 11:05 PM
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Capítulo
5
Toca-me o telefone a meio de um
jantarzinho com uma amiga do surf, olho para o raio do visor e
digo de mim para mim: -Olha, a Marcolina do: “Anda comigo
que eu tiro-te um!” Podia era fazer-me “um”, isso é
que me podia fazer, a maluca! Que será que me quer esta
bardajona a esta hora?
-Olá Mário! Nem imaginas
de onde estou a sair! Da casa do Dr. Nestinho, ih ih ih (o
vulgarmente conhecido como risinho de cabra.)
Franzido o sobrolho, murmurado
um chorrilho de impropérios e expelido um enorme suspiro de
aborrecimento, lá disse: -“Olá Vanessa! E o que tenho a ver
com isso, hem? O quê? Queres que te vá buscar a esta hora?
Para ir tomar um copo? Mas não era um almoço no shopping que
ficamos de fazer? Tem mesmo de ser hoje, não dá para contar
isso de manhã na empresa? Está bem, prontos. Não chores mais
que já estou a ir para aí!“ Enquanto me despedia da minha
amiga ia pensando: “Olhamesta ganda maluca, lá porque
manda uns marmelos que só me levam a pensar em pôr o
“ponteiro entre as duas”, já pensa que um gajo jeitosão
como eu vai assim a qualquer lado, a qualquer hora e com
qualquer uma!!! A gaja não vale um peido, o monte de bosta,
fod**-se! Para além disso odeio o nome Vanessa, Vanessa é nome
de rameira, pior só se fosse Lolita, ou Cátia ou o car**** que
lhe rebentasse com a assentadeira! Mas punha-a a fazer-me um
chucha-na-tolinha, ai punha, punha! Ela nem é boa nem é má…
é uma espécie de pinheiro com pernas e com braços. Mas porra,
o meu pai sempre me disse que todas as mulheres têm algo que
nos consegue por loucos, que por vezes nas mulheres menos
atraentes é onde se encontra o supremo prazer… O FDP do velho
estava era bêbado, de certeza! É que esta Vanessa não tem
muito por onde se lhe pegue! Salva-se a boca, Hummmmm, que poderá
fazer a boca dela por mim?? Vá Mário, não comeces já a
pensar em badalhoquices, coitada da moça que se calhar nem sabe
o que é um bochecho! Ou se calhar até sabe…
Bem… seja o que deus
quiser! Vou lá tomar o copo com a melga e vejamos no que isto dá!
Zombeteiro,
10 de Agosto de 2004 - 01:22 AM
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Capítulo
6
Estou danada!!! Furiosa!!!
O Mário ficou de me vir buscar
para irmos beber um copo.
Tinha muito que lhe contar, sobre a minha ida a casa do Dr.
Ernesto!
Expliquei-lhe direitinho onde estava e ele disse que sabia muito
bem onde era. Demorava dez minutos, disse ele.
Esperei quinze minutos e nada.
Liguei-lhe para o telemóvel e estava desligado. Liguei outra
vez. E outra...
Do outro lado só ouvia uma voz irritante que dizia "O número
que ligou... blá blá blá".
Onde se meteu ele?
Vinte minutos, trinta. E o raio do telemóvel sem dar sinal!
Querem lá ver que o homem, na ânsia de me encontrar, foi de
encontro a um muro qualquer?
Não... já alguém me teria ligado a contar!
Quarenta e cinco minutos. O
melhor é meter-me num táxi e voltar para casa. E onde é que
eu vou arranjar um táxi a estas horas???
Não se pode mesmo confiar nos
homens!!!
Se eu descubro que ele me
trocou por uma lambisgóia qualquer, amanhã entorno o café em
cima dele!!!
A ferver!!!
Floreca, 11 de
Agosto de 2004 - 10:33 AM
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Capítulo
7
Táxi! – olha não parou,
merda!
Isto é que eu estou tramada,
hem?
Ainda tenho que passar por casa da Avó Maria dos Anjos para
mudar de roupa antes de ir para o “Brilho da Esmeralda ”,
que diria o Sr. Esteves se me visse aparecer assim tão clássica?
Parva, devia ter aproveitado a
boleia do velho!
Mas quem diria que o Mário me
ia fazer passar por uma destas?
É bicha, está visto, é bicha!
E bicha foleira, ainda por cima, olha que porra!
Que é isto? Um BMW a parar
aqui mesmo ao pé de mim?
Um marmanjo a perguntar se preciso de alguma coisa?
E quem é aquele gajo no banco de trás?
Aiiiiii Eu já vi aquele aquele gajo na Kapital e, minha Nossa
Senhora, agora é secretário de estado, vi-o na “Caras”, é
uma das figuras do novo governo! Mas o que quer ele?
O quê???
Diz que tem uma missão para mim?
Esta noite não existe, pronto, entrei numa trip ácida daquelas
da Natasha, só pode!
Bem, entro e escuto o que o gajo tem para dizer. Armam-se em
esperts e levam logo duas joelhadas, uma o motorista, duas o
secretário de estado, pois são três e depois? Ah e estes
sapatos de salto quase agulha ainda podem ter alguma utilidade
prática- ahahahahahhah
A_Dora, 11 de
Agosto de 2004 - 06:19 PM
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Capítulo
8
Meu querido diário: o inacreditável
começa a tornar-se recorrente...
Aqui estou eu no branco de trás do fa-bu-lo-lo-lo-so BMW do
secretário de estado. Até estou gaga, credo...
O tipo achou que eu podia ajudá-lo a livrar-se da fama de pedófilo
se o vissem em público com uma rapariga bem parecida como eu. Só
pode ser isso. Lá mamas tenho. E falo bem em público, tenho
uma boca que é se lhe tirar o chapéu, o Mário que o diga.
A propósito, que será feito dessa bicha?....
O secretário de estado passou para o banco de trás e ordenou
peremptoriamente ao motorista: "conduz sem destino..."
Assim foi. O tipo assim fez como ordenado. Pôs-se a dar voltas
na baixa lisboeta, que é linda assim no verão, parece uma árvore
de natal murcha...
"Música!", disse ele ao motorista. O gajo meteu um
tipo a cantar francês. Lá Bohéme, Lá Lá Lá Bohéme, dizia
o franciu.
"Mas ouve lá, meu, tu pensas que eu sou alguma kota de
bairro, ou qué que tu pensas?! Não sou nenhuma velha jarreta
!!! "....
O secretário de estado disse: "não gostas, baby?... Então
vamos ouvir um tango..." E ordenou ao motorista: "muda
a música!"
O gajo meteu uma música que só de ouvir dava uma vontade de ir
ao gregório...
Estou feita, pensei. Então disse-lhe: "Ouve lá, meu, não
sei o que é que fazes na vida, mas para a música não tens
queda. Deixa-me escolher...."
Vasculhei entre os cd's e disse ao motorista: "enfia-me
este cd no pinduricalho musicrónomo!"
Assim que se ouviu a música, o secretário de estado gritou em
delírio: "encontrei a minha dama!!!!! Ai !!!! É ela !!! O
destino consumou-se!!! Aiiii .... "
Este, também só pode ser bicha..... ou então está a ter
choques eléctricos, ou orgasmos múltiplos....
E assim dançámos toda a noite:
"Sensual ! És tão sensual ! ... Que até o teu cheiro me
faz mal!..."
Acordei às 7 da matina, sentada nos degraus da Sé
Patriarcal....
O que dirá o Mário quando souber....
Fly-away, 12 de
Agosto de 2004 - 12:10 AM
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Capítulo
9
Estou todo taralhoco! Acordo
atordoado depois de uma noite de bosta, dormitei apenas uma hora
e meia. É Sexta-feira, é manhã, é um cabrão de um longo e
difícil dia que tenho pela frente. Fumo o meu terceiro cigarro
enquanto vou preparando o meu pequeno-almoço que não passa de
duas aspirinas migranas que enfio no bucho antes de
emborcar os quatro cafés habituais. Estou mal disposto,
irritado e atrasado, tenho ainda de abastecer o cangalho
porque quase ficava sem gasolina, depois de andar toda a noite
à procura daquela piolhosa! Em resumo, estou podre com aquela
cabra de merda!
Já no escritório sai-me disto
na rifa: "Booom diiiia, Sr Mário!!" Oiço,
na voz irritante e esganiçada da insípida da estagiária! Da
maneira como vinha, não evitei ser um
"pouquinho" áspero e respondi: "Cala-te,
maluca! Bom dia, o car****! Fo**-se que só me saem
desconchavada e malucas!"
A delicada da chavala que é do
tipo que não pode ouvir nenhum palavrão que fica logo toda
enfadada, começa numa choradeira que me deixou ainda mais à
berma de um ataque de nervos, aí não aguentei mais, fui
completamente desprezível e explodi:
"Que foi cara***? Não
me vais tu também moer o juízo, pois não? Arranja um sarnento
qualquer para te chupar os beiços da c**** e não me venhas
chatear, está bem?!"
Fui mau, mas não consegui
evitar! Coitada da cachopa, levou por tabela à custa da
mamalhuda, ouviu das que não queria! Por falar em mamalhuda, é
essa vacarrona que procuro imediatamente após este incómodo
dialogo! Vou direitinho à secretária dessa prenda para lhe
dizer umas boas! Não está no local dela, a aparvalhada! Oiço
uma porta a abrir e lá está ela, a besta! Olha para mim de
lado e...
"Olha lá, ó
imbecil, que nunca mais me peças para te ir buscar a lado
nenhum! Nem Colombos, nem o cara*** que te rebente! Andei quase
uma noite inteira à tua procura e nada. Isso faz-se?? Tu andas
a snifar uns tubos de escape? Para a próxima, até me podes
dizer que te estão a arrefinfar na maramita, que não quero
saber!"
"O quê, Mário?"
Respondeu ela com ar surpreendido. "Como é?? Onde
andaste à minha procura? No Colombo? Eu disse-te que estava no
Vasco da Gama, tonto! Fiz-te uma chamada, mas tinhas o telefone
desligado e acabei por desistir de esperar! Pensei que não
irias aparecer!"
(silêncio….)
Merda! Agora meti ganda nojo!
Zombeteiro, 12
de Agosto de 2004 - 11:57 PM
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Capítulo
10
Fim de semana
na praia.
Enfim, para alguma coisa há-de
servir este calor! Em vez de nos enfiarmos num centro comercial,
corremos todos para a beira mar.
Lá fui eu com a Ernestina, com
as toalhas, os bikinis, o bronzeador, a Caras e a Lux, os
iogurtes light e as bolachas integrais no saco.
Ahhh!!! E o telemóvel, claro! Sempre se vai ouvindo alguma música,
tirando umas fotos aos gatos em fato de banho, mandando umas
mensagens...
Ao chegar à praia, a
dificuldade do costume: arranjar um espacinho em condições!
Perto dos miúdos a jogar à bola, nem pensar.
Das famílias imensas que não dispensam levar a panela do
arroz, também não pode ser, que não há nada de jeito para ver!
Bem, lá descobrimos um canto
em condições: estavam quatro tipos deitados, mesmo ao lado!
Apesar de estarem a dormir com a cara enterrada nas toalhas, não
nos pareceram mal! Pelo menos, tinham os corpos bem
bronzeados!!!
Acordá-los, deveria ser fácil. Afinal, para alguma coisa
servem os toques polifónicos do telemóvel!!!
Assim passámos o dia.
Os tipos lá acabaram por levantar as caras, mas mais valia nem
terem acordado! Puseram logo a música alto e bom som!!!
E não tiraram os olhos de nós, sobretudo quando nos lembrámos
de ir comer um Cornetto...
Mas que raio vamos nós fazer
para a praia???
Para ver uns marmanjos em fato de banho a mostrar o corpo
bronzeado???
Ainda me lembrei de ligar ao Mário,
mas aquele imbecil ainda ia parar a uma praia do outro
lado do país!!!
Floreca, 15 de
Agosto de 2004 - 07:26 PM
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Capítulo
11
E aqui continuo a olhar o mar tão
azul e a conversar com a Ernestina sobre o Chocolate com
Pimenta.
Pelo menos hoje não tenho de
aturar o chato do meu chefe, nem o Dr. Ernesto, nem a Maria do
Dr. Ernesto, nem o puto do Dr. Ernesto, nem o Mário (aquela
lesma...), nem o Sr. Esteves, nem os bêbedos do “Brilho da
Esmeralda”.
A vida, quando bebida nestes
intervalos até parece assim um copo de Ice Tea de Pêssego com
palhinha.
Estava eu perdida nestas meditações
e pensando se o bikini daquela gaja dos caracóis terá sido
comprado já em saldo quando escuto uma voz que me arrepia:
“Boa tarde, Vanessa.” Confirma-se, é o secretário de
estado, porra! Olha para o gajo, está diferente, de calções
às riscas e panamá, segurando um...corneto de moka. Pois....
Ele avança e manda: “Jovem
Vanessa nem calcula o prazer que me dá descansar o olhar no
seu, no meio deste areal pejado de gente. É tão bom
descortinar uma cara amiga” e sorri, o tolo, continua a
sorrir... Ora a minha vida....Mas o que quer este gajo afinal?
Mais danças?? Querem ver que anda a treinar para um concurso e
precisa de uma moça atraente, como eu, para par? E agora?
Levanto-me tentando parecer “quéjual” – a Drª Maria
Telles, jurista lá da empresa, diz esta palavra a propósito
das sextas-feiras, por isso deve ser uma coisa boa – e digo
“Ora viva, Sr. Secretário de Estado, também veio dar um
mergulho? A água está boa.” Mas para meu espanto o gajo
responde: “Jovem Vanessa, você é o único motivo da minha
presença nesta praia. Aliás, fique ciente de que abomino areia
e água do mar”.
Este gajo ou é doido ou é
bicha ou as duas coisas!
Mau, mau....vou sugerir ao gajo que vá à esplanada comigo.
Eles costumam tocar músicas fixes, da Ana Malhoa e da Rute
Marlene e parece que este bacano até gosta dessas coisas...e
seja o que Deus quiser!
A_Dora, 16 de
Agosto - 06:20 PM
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Capítulo
12
Bebemos umas caipirinhas na esplanada da praia. O calor começou
a apertar. Eu já tinha açúcar nos bigodes, quer dizer, no buço.
Gaita, logo esta semana a minha cabeleireira tinha de estar
fechada para férias, não pude ir arrancar estes pêlos grossos
que me crescem aqui de lado, pareço mesmo o Cantiflas! Mas... vá
lá, o secretário de estado, ou não reparou, ou fingiu que não
deu por isso. É simpático, hum?
Não sei como é que aquilo se deu, às tantas estávamos enrolados no banco de trás do Volvo (da outra vez não era um
BMW?!... Não me digam que os secretários de estado têm mais do
que uma carripana!!!). O motorista ia a conduzir (por acaso, só
um aparte: este motorista.... é cá uma carcaça mais apetecível!)
No meio das curvas e contracurvas, rebolávamos no banco, ele
bateu com a cabeça várias vezes no vidro mas pareceu não se
ralar, até lhe dava algum gozo, deve ser um sado-masoquista.
E eu, olha meu querido diário, quando dei por mim, estava a
fazer um b****** ao secretário de estado.
Não sei! Não faço a mais pequena ideia!.... Como é que
aquilo aconteceu !!!! Só tive tempo de tirar a placa (aquela
que tive de meter quando aos 5 anos me tiraram todos os dentes
cariados da frente, de trás e dos lados...) e assim, lá evitei
de lhe dar uma mordiscadela na tringalha! Bolas, assim só com
os beiços e o meu farto buço, o secretario de estado estava
num gozo delirante... É bicha ! Só pode !!!
E assim, meu querido diário, tenho uma coisa a confessar:
ainda não foi desta que fui desabrochada...
NOTA IMPORTANTE: se algum dia alguém apanhar este diário,
para poder interpretar correctamente as minha palavras, quero
esclarecer que: b******* quer dizer bico. Mas é óbvio que
nunca ninguém vai ler isto, esta guardado debaixo da minha mala
de cânfora, dentro da minha Bíblia.
NOTA IMPORTANTE E SÉRIA: também é óbvio que não se devem
fazer b***** a desconhecidos sem preservativo. A Sida é um fenómeno
a evitar.
Fly-away, 17 de
Agosto - 11:09 AM
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Capítulo
13
Meu querido Diário, passaram-se 6 meses... e o
secretário de
estado não me desabrochou, olha que aborrecimento. Começo a
ficar farta dos b**** , ainda por cima ando sempre a tirar a
placa, até já se me partiu um dente.
No outro dia convidei o secretário de estado para jantar em
casa, os meus pais queriam conhecê-lo e, se possível, dar uma
voltinha no SAAB. E assim foi.
Estávamos todos à mesa, o jantar até era bom, a minha kota
esmerou-se, fez carapaus alimados com feijão frade, mas
prontos, apesar de estarem um bocadinho envinagrados, estava
mesmo delicioso mas o secretário de estado devia estar sem
apetite. Fizemos um ganda granel à mesa, é verdade, porque
somos muitos, não é?... Às tantas a minha irmã mais nova
estava a cantarolar aquela coisa assim: "O Pai Abrão...
tem muitos filhos.... tem muitos filhos o Pai Abrão..." e
cai-lhe o meu pai em cima: "ó filha dum cabrão, não
sabes que é feio cantar à mesa, porra! Está cá hoje o senhor
secretário de estado!".
Diz a minha mãe, que é uma pessoa mais chique: "canta
outra coisa, chiça prá miuda!" E ela: "we are family...
I've got my sisters and me!... We are family, nã, nã, nã..."
O meu irmão entretanto deu um traque e a vizinha de cima, a D.
Celeste, pediu para nós irmos à rua porque tinha atirado com
um balde d'água de lavar peixe lá de cima do 3º esq... e ela
queria saber de quem era o SAAB porque estava uma guelra
pendurada no pára-brisas...
Desde então, o secretário de estado, acho que já não gosta
dos meus b****. Ele não me amava, nem queria casar comigo...
acho eu.
Podia era ter-me dito na cara que não gostava de carapaus
alimados !
Fly-away, 18 de
Agosto - 12:28 PM
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Capítulo
14
Eu devia estar louco quando
aceitei ir conhecer a família da mamalhuda!
Mas ela tanto insistiu, tanto ameaçou que deixaria de me
fazer... enfim... aquelas coisas... que lá tive de ir.
Um pesadelo, foi o que foi!!!
Mal entrei na casa, era um
cheiro a peixe que até dava dó!!! De tal maneira que tive de
mandar o fato para a lavandaria logo pela manhã. E devia
ter-lhes mandado a conta!!!
Alguém veio logo receber-me à porta. Imaginei que fosse a mãe,
pelo avental... porque tinha uma bigodaça que mais parecia o
pai! A Vanessa, está lá perto... mas confesso que até gosto
de a ver. Faz-me lembrar o Américo, nos nossos tempos de colégio.
Era um rapaz alto, musculoso... e usava um pequeno bigode que...
enfim... me dava arrepios! Que será feito dele? Gostava de o
rever, um dia destes. Talvez ir beber um copo com ele, recordar
velhos tempos...
Mas voltando ao jantar da gaja,
não é que a irmã me ia dando cabo dos ouvidos com aquela
vozinha estridente??? E foi o jantar todo assim. Já não
bastava a comida intragável e inimaginável que me serviram
(carapaus alimados??? nunca tinha visto tal coisa na minha
vida!!!), ainda tive de aturar cantorias! Raios partam a miúda!!!
Para acabar em beleza,
resolveram lavar-me o carro com peixe. Eu, que tinha
pensado ir de férias no SAAB, lá vou ter de ir no Mercedes...
isto não se faz!!! Nunca mais ponho os pés naquele bairro!!!
Perdem-se as... enfim...
aquelas coisas... que a mamalhuda me fazia. Quando ela se debruçava
para mim, eu ficava a espreitar naquele decote... ai, ai!!! Mas
também, era a única maneira de a manter calada um bocado!!! E
lá aproveitava para fazer alguma coisa de jeito.
Tinha bom gosto para música, a
rapariga. E não era daquelas assanhadas que querem subir logo
para cima de um homem... dessas eu quero é distância!!!
Acho que vou sentir saudades...
enfim... de certas coisas... da malhuda! Mas cada vez que a vir,
vou lembrar-me dos carapaus alimados... e lá vai tudo por água
abaixo!!!
Floreca, 21 de
Agosto - 01:29 PM
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Capítulo
15
Segunda-feira. De volta às rotinas, Vanessa sabia no fundo
do seu âmago ( e do seu estômago.. que os carapaus ainda
estavam a trabalhar...) que não teria mais as visitas do secretário
de estado nem os passeio à beira Tejo no seu SABB.
Teria de encarar o seu chefe como o seu hálito azedo e
aquele sorriso de dentes podres com sorrisinhos de olhos de
careiro mal morto… (mas quem disse aos velhos que as miúdas
giras como eu, e o buço até me dá graça, porra… é só uma
“sombra” sexy …que a gente gosta daquelas carnes flácidas?)
e as insinuações das colegas. Então Vanessa, já foste nessa?
Ó Vanessa, foi dessa? O vainessa então já foi dessa? (parvas
de merda.. todas as colegas, não tinham o menor romantismo, não
sabiam se quer que a Letícia está anoréctica de tanto
trabalho que dá aqueles protocois, tadinha, que lindo foi o
casamento, nem sabem como se chama o último namorado da
Stephanie…incultas, ignorantes). As colegas... todas uma
cabras, isso sim, só falavam de sexo, dos namorados, do que
faziam com os namorados e outras porcarias... (Vanessa
desconfiava que metade disso era mentira, ou então as suas
colegas escreviam todas cartas para a Maria…)
Vanessa decidiu-se nessa manhã clara de segunda-feira. Já
que continuava imaculada e virgem, iria ser uma vestal do amor.
Faria poemas ao sol e à lua e seria uma sacerdotisa. Iria ficar
casta para sempre. Seria o seu destino, a sua missão.
Vestir-se-ia de branco. Saiu de casa sentindo-se etérea. (com
uma túnica giríssima da loja dos chineses e uma bracelete de
missangas super pop que comprara aos monhés da feira do relógio)
Os quilos a mais davam-lhe um ar de paquiderme branco, mas que
importava isso. Sentia-se flutuante. Como a Britney Spears
quando afirmou a sua virgindade…. (o povo gosta de acreditar
nas heroínas.. Vanessa era uma vestal e mainada!)
Chegou ao escritório decidida e de cabeça levantada. Não
iria responder a provocações. O que lá ia, lá ia…
Sentou-se na sua mesinha de canto e notou um aroma diferente
no ar… Algo se passava de diferente. Um perfuma másculo, mas
ao mesmo tempo inebriante. Vanessa olhou em volta e viu a sua
colega Adélia, com o rosto congestionado e a cheirar a suor..
(Mas estas gajas não usam desodorizante?)
-Já sabes? Temos um sub gerente novo na firma. Quer conhecer
toda a gente. Olha ele!
Vanessa levantou-se em transe. Ele vinha direito a si. Alto,
moreno, camisa entreaberta no peito peludo, que mostrava um fio
de ouro com uma nossa senhora também em ouro…
-Olá – ouviu ela- sentindo-se já voar por cima da
fotocopiadora. A menina é que é a célebre Vanessa? Muito
gosto. Vamos trabalhar lado a lado. Eu gosto de colaboradoras
cooperantes.
O sorriso dele derreteu-a todinha. Um frémito percorreu-a como
um relâmpago em noite de tempestade.
Vislumbrou a coisa mais linda que ela já tinha visto na Caras,
num anúncio fantástico. Um brilhante colado no seu dente
canino.
Um deus tinha aparecido na vida da Vanessa.
AtuaLolita,
23 de Agosto - 10:06 PM
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Capítulo
16
Meu querido diário,
Nem imaginas o que me sucedeu. Hoje, pela primeira vez vi o
Mar! Vi o que é água revolta e imensa diante de mim. Senti
tonturas e enjoos como se viajasse num barco à vela. Senti as
pernas tremerem. Os olhos picarem. O estômago latir. Eu própria
tive vontade de uivar! Felizmente contive-me, porque tinha sido
um pouco esquisito para as parvas das minhas colegas. Elas não
sabem o que é o amor!
Bem, vamos por partes, tenho um sub-gerente novo.
Esse sub-gerente é o homem mais lindo que vi até hoje.
É o homem da minha vida.
Dos meus sonhos.
Aquele para quem me guardei durante quase 30 anos.
Quando o vi senti-me desmaiar e só percebi que as minhas
mamas estavam tão grandes, mas tão grandes, quando o soutien
se desapertou sozinho e me deslizou pelas costas.
Agora eu sei, agora eu sei!
Sei o que é ser uma mulher apaixonada!
Sei o que é sentir a passarinha alagada, desnorteada,
desconhecedora de todo o bom senso!
Agora pela primeira vez o meu coração e todo o meu corpo, líquidos
incluídos, tem dono!
O Romeu!
Tanto tempo perdido a sonhar com o Mário, o Secretário de
Estado e tantos outros bananas para agora descobrir o sabor da
paixão.
O Romeu tem uma voz quente, segura. Quando ele me disse que
íamos trabalhar juntos apeteceu-me rezar uma oração ao Santo
António.
A minha oportunidade chegou! Viva! Vou-me deitar e ficar no
escuro sonhando acordada com o meu grande amor. Boa noite Romeu.
Beijo-te todinho na minha imaginação...I love you.
A_Dora,
24 de Agosto - 05:03 PM
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Capítulos:
até
ao 5 do
6 ao 15 do 16 ao
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